
Nossas Pesquisas
O projeto de pesquisa colaborativa Indicadores antrópicos: fatores socioambientais e patrimoniais na tradução de índices de antropização em povos e comunidades amazônidas é uma proposta que visa criar indicadores e índices a partir da experiência e dos valores de comunidades autóctones. O que propomos com os indicadores antrópicos, para além de estabelecer referências de antropização vegetativa (sobrevivência) e volitivas (empreendimento no espaço), é a produção de informações a partir dos moradores das comunidades, mediante questionário em que estes se manifestarão conforme suas impressões quanto a um evento ou prática. Porque frequentemente a Amazônia é apresentada ao país e ao mundo como espaço espetacular, com seus habitantes excêntricos, de contornos mitológicos, mas com baixos índices socioambientais, econômicos e educacionais.
Este projeto de pesquisa colaborativa foi planejado para ocorrer em quatros anos – 2019 a 2022 – mas a grandeza dos ecossistemas, do território e da população da Amazônia nos impõe um trabalho de mais anos. Por isso, inicialmente nos dedicaremos a ecossistemas segundo a localização das comunidades, se em áreas mais continentais ou em áreas mais litorâneas. Em decorrência, nossas comunidades iniciais localizam-se nos estados do Amazonas e do Pará, havendo previsão de ampliação desde que haja solicitação para colaboração em estudos e pesquisas que envolvam os temas de antropização, meio ambiente, patrimônio e desenvolvimento local.
Coordenação:
Prof. Dr. José Guilherme Fernandes (Coordenação Geral – PPGEAA/UFPA)
Prof. Dr. Otávio Rios Portela (PPGICH/UEA)
Profa. Dra. Marie-Hélène Torres (PGET/UFSC)
Coordenação:
Prof. Dr. José Guilherme Fernandes (Coordenação Geral – PPGEAA/UFPA)
Prof. Dr. Otávio Rios Portela (PPGICH/UEA)
Profa. Dra. Marie-Hélène Torres (PGET/UFSC)


As microrregiões do Salgado e Bragantina, no Estado do Pará, estão entre os espaços de mais antiga antropização da Amazônia Oriental, exatamente a partir dos quais ocorreu o contato entre populações autóctones e os colonizadores europeus, com a instalação dos franceses no Maranhão, em 1612, e dos portugueses no Pará, em 1616. Todavia, muito pouco existe de vestígios pré-colombianos ou coloniais, visíveis e reconhecidos, nas vilas e cidades das duas regiões, em especial o patrimônio material – edificações, sítios, artefatos, móveis, coleções e acervos, documentos. No entanto, esse aparente desaparecimento não significa inexistência, pois muito há de memórias no patrimônio imaterial – saberes e fazeres, ofícios, celebrações, lugares – que indicia forte herança ameríndia, quilombola e lusitana. Inclusive, já foram encontrados, em território do município de São Caetano de Odivelas, grande quantidade fragmentos cerâmicos em visualizações na superfície do solo, o que nos levou a detectar mais de 10 possíveis sítios arqueológicos, naquele município. Nossa motivação com o Projeto Tapuera: patrimônio autóctone em sítios e rotas etnohistóricas e arqueológicas na Amazônia Estuarina é conciliar as práticas autóctones atuais com os rastros e vestígios – arqueológicos, históricos, paisagísticos, artefatos – de antropizações passadas, a fim de se provocar a ressurgência de valores indígenas e afrodescendentes, em interação com os colonizadores. Por fim, queremos ampliar a consideração de nossa identidade local, com a inclusão de saberes e atores esquecidos na história, reavivando os espaços de memória, com o desvelamento de sítios, paisagens, acervos e rotas arqueológicas, paisagísticas e etnohistóricas, que impliquem na promoção do desenvolvimento e da sustentabilidade locais.
Coordenação do Projeto:
Prof. Dr. José Guilherme Fernandes – Letras e Colaboração Intercultural
Prof. Dr. Paulo Canto Lopes – Arqueologia
Prof. Dr. Daniel Fernandes – Antropologia

